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terça-feira, 1 de julho de 2008

A AUDÁCIA DE DARWIN


«(...) Charles Darwin (18O9-1882) tinha chegado à noção de evolução das espécies com base na observação de fósseis mas também, e sobretudo, da distribuição geográfica de certas espécies animais, observações realizadas durante a sua viagem à volta do mundo (entre 1831 e 1836). Também ele pôs a hipótese da evolução para resolver um problema particular suscitado pelas observações; mas estas eram relativas à bio-geográfica (distribuição geográfica das espécies) e não aos fósseis, como no caso Lamarck.
O facto assinala uma vez mais que a noção de evolução não é directamente observável, mas deduzida; é uma construção do espírito para dar conta de certos factos. Do mesmo modo, primeiro Copérnico, depois Galileu, foram levados a "construir" uma representação do mundo em que a Terra girava em torno do Sol para melhor explicarem certas observações do movimento dos astros.
Para bem compreender como é que Darwin veio a avançar a hipótese da evolução das espécies há que tentar imaginar o tipo de problemas que poderiam colocar-se-lhe quando tentou, em 1837, pôr em ordem as observações trazidas da sua viagem à volta do mundo. Como todos os biólogos dos anos de 1830, não tendo Lamarck tido até então eco, ele acreditava na fixidez das espécies, mesmo tendo de imaginar que elas teriam sido criadas a seguir a cada ciclo de catástrofe geológica. A bordo do Beagle, o navio no qual, a expensas da Universidade de Cambridge, tinha embarcado para uma missão científica, leu os Princípios de Geologia do geólogo britânico mais influente da época, Charles Lyell.
Este tinha ido dar precisamente ao problema de Lamarck, o problema filosófico e científico suscitado pelas extinções de espécies atestadas pelos fósseis. Mas, contrariamente ao zoólogo francês, pensava que as espécies eram fixas e não podiam por isso adaptar-se mudando de forma (...)»*

* Marcel Blanc, Os Herdeiros de Darwin, Editorial Teorema, 1991 (1ª edição francesa, 1990), págs. 23-24.
texto retirado de http://www.harmoniadomundo.net/Ciencias/Biologia.htm

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Biologando e Filosofando

As operárias são livres
Os zangões também voam
Mas a rainha é escrava
Trecho do livro: Clube da Luta - Chuck Palahnuik

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Teoria


Se você ainda não sabe qual é a sua verdadeira vocação imagine a seguinte cena: Você está olhando pela janela, não há nada de especial no céu, somente algumas nuvens aqui e ali. Aí chega alguém que também não tem nada para fazer e pergunta: Será que vai chover hoje?
Se você responder “com certeza”, a sua área é Vendas: o pessoal de Vendas é o único que sempre tem certeza de tudo.
Se a resposta for “sei lá, estou pensando em outra coisa”, então sua área é Marketing: o pessoal de Marketing está sempre pensando no que os outros não estão pensando.
Se você responder “sim há uma boa probabilidade” você é da área de Engenharia: o pessoal de Engenharia está sempre disposto a transformar o universo em números.
Se a resposta for “depende”, você nasceu para Recursos Humanos: uma área em que qualquer fato sempre estará na dependência de outros fatos.
Se você responder “ah, a meteorologia diz que não”, você é da área de Contabilidade: o pessoal de contabilidade sempre confia mais nos dados do que nos próprios olhos.
Se a resposta for “sei lá, mas por via das dúvidas eu trouxe um guarda-chuva”, então seu lugar é na área Financeira: que deve estar sempre bem preparada para qualquer virada de tempo.
Agora se você responder “não sei”, há uma boa chance que você tenha uma carreira de sucesso e acabe chegando à diretoria de uma empresa. De cada 100 pessoas, só uma tem a coragem de responder quando não sabe.
Os outros 99 sempre acham que precisam ter uma resposta pronta, seja ela qual for, para qualquer situação.
“Não sei”, é sempre uma resposta que economiza o tempo de todo mundo, e predispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de tomar uma decisão.
Parece simples, mas a resposta “não sei” é uma das coisas mais difíceis de aprender na vida corporativa. Por quê?
Eu sinceramente “não sei”.
(Texto atribuído ao empresário Antonio Ermírio de Moraes, publicado na Revista Exame)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Bom texto


Vou começar falando de vespa, que pode ser vista nos campos numa eterna caçada que se repete há milhares de gerações. A vespa procura uma aranha. Trava com ela uma luta de vida ou morte. Pica-a várias vezes, paralisando-a viva. Arrasta-a, então, indefesa, para o seu ninho, um buraco na terra. Deposita seus ovos. Depois disso sai e morre. Tempos depois nascem as larvas, que se alimentarão da carne viva da aranha. Crescerão sem ter nenhuma mestra que lhe ensine o que fazer. A despeito disso, farão exatamente o que fizeram sua mãe, sua avó, e todos os ancestrais, por tempos imemoriais...
Educação perfeita, sem mestres e sem consciência. Na verdade, educação alguma, porque o conhecimento já nasce solidário com o corpo e faz com que o corpo faça o eu tem de fazer. Repetição sem fim. Cada geração reproduz a outra. Graças a repetição e a reprodução a vida é possível. Já imaginaram o que seria se cada nova geração, tudo devesse começar do zero?(...)
As vespas são poupadas as dores da aprendizagem. Todo conhecimento necessário a sua vida já está presente, inconscientemente, no seu corpo.Programada perfeitamente para viver e morrer. Vida sem problemas novos, sem angústias, sem neuroses, sem revoluções.
Nós?
Seres de programação biológica atrofiada, encolhida, restrita. Verdade que ela diz bastante sobre as coisas que devem acontecer dentro da nossa pele, tanto assim que crianças continuam a nascer, na maioria das vezes perfeitas, de mães e pais que nada sabem. Mas ela diz muito pouco, se é que diz alguma coisa, sobre o que fazer por este mundo afora. Tanto assim que foi preciso que homens inventassem maneiras de ser humanos por meio da imaginação e de convenções. São os mundos da cultura. Mas essas invenções não se transformam nunca em programação biologia. Por isso as receitas de como ser humano têm de ser ensinada, aprendidas e preservadas. E isso se faz por meio de linguagem.
Alves, Rubem - Conversa com quem gosta de ensinar